O Estado do Rio tem hoje um conjunto de 106 obras paralisadas em áreas como urbanização, saneamento e transporte. Esses projetos somam mais de R$ 3,2 bilhões, dos quais mais de 71% já foram desembolsados pelo governo.

É um canteiro com obras iniciadas, na maior parte das vezes, há mais de dois anos (98% dos casos), e que pararam pelos mais diversos motivos. Quanto mais tempo paradas, maiores os prejuízos: sem o serviço, deterioração do material e maior custo para reiniciar as obras.

Os dados organizados neste post fazem parte de um levantamento produzido pelo Tribunal de Contas do Estado do RJ (TCE-RJ). O estudo demostra bem uma das dimensões da crise pela qual passa o Rio.

Pelo dados, o maior pico de obras paradas ocorreu em 2015, quando 21 foram suspensas. Aquele ano expressou uma tendência iniciada em 2013, quando houve um aumento substantivo das obras paralisadas (total 17 e 19/ano) . Esse período coincide com a crise política no Estado do Rio, início da Operação Lava-Jato e a crise política e econômica em nível federal.

Além da perda de tempo e do serviço, os projetos paralisados já custaram R$ 2,3 bilhões do total de R$ 3,2 bilhões contratados. Ou seja, em média, para cada R$ 10 reais do projeto, R$ 7 já foram repassados para as empresas contratadas.

Do total contratado, 50% tem como principal financiador o “contratado de financiamento”; outros 26% são resultado de convênios assinados com o Governo Federal; enquanto 22% são diretamente contratados pelo Governo do Rio.

Chama atenção as obras da “administração” e “transporte” que, embora paralisadas, já tiveram mais desembolsos que o restante dos projetos.

Há tantos motivos de paralisação que a base do TCE precisou criar uma categoria “Outro” para designar o maior conjunto de justificativas para a suspensão dos projetos. Nesse grupo, estão mais de R$ 2,2 bilhões do valor total dos contratos.

Em segundo lugar, vem “fatores vinculados à gestão/administração”, com um total de R$ 520 milhões dos projetos. O terceiro maior motivo de paralisações, segundo o valor dos contratos, foi o “bloqueio do repasse de convênios”, com R$ 167 milhões.

Já as paralisações das obras segundo seu objeto principal e o valor dos contratos indicam que a maior parte foi de ações voltadas para “urbanização”, com mais de R$ 1,4 bilhão. O abastecimento de água vem em segundo lugar com R$ 523 milhões, seguido de mobilidade urbana com R$ 335 milhões. Há também obras do setor de saúde, com R$ 61,7 milhões em projetos paralisados.